Pinball: uma metáfora para um funil de vendas mais complexo

 

Imagine com a gente o cenário de conversão de vendas perfeito: a comunicação chega para o seu lead; ele clica no botão; gosta do que vê; adiciona o produto ao carrinho; compra. Fim. Esse é o resumo simplificado de um funil de vendas tradicional, perfeito.

A má notícia é hoje em dia achar que as coisas são tão simples assim é acreditar em conto de fadas. Ainda mais nesse mundo com consumidores cada vez mais diferentes, exigentes e em constante transformação. Na prática, o caminho de compra e venda por funil é muito mais árduo e complexo. A começar pelo fato de que ele não é linear

Analogia entre funil de marketing e pinball

Vamos viajar ao passado e chegar ao bom e velho game de pinball para explicar o approach de um funil de marketing mais moderno. O objetivo do jogo é conduzir a bola para a parte debaixo da máquina, passando por vários obstáculos e acionando diversas alavancas e mecanismos, mantendo o máximo de tempo possível a bola em jogo. Mas, mesmo com luzes piscantes desorientadas, sons altos, apetrechos que alteram a direção da bola e buracos no percurso, o jogo também pode cuspir a bola em direções bastante imprevisíveis.

É assim que tende a ser o funil de marketing e vendas em um mundo complexo como o nosso. A jornada moderna do lead hoje passa por diversos estágios diferentes, de maneira muito pouco linear, até que ele venha a se tornar um cliente. Não é simples e fluída como propõe o tradicional, que se baseia no modelo AIDA: atração, interesse, desejo e ação. O lead pode ingressar no funil em qualquer etapa e migrar para início, meio e fim na sua velocidade, passando por dois, cinco ou 10 obstáculos.

E para seguir competitivo no mercado, segundo Nick Panayi, CMO da empresa de TI Amélia, as regras deste novo jogo precisam ser seguidas: estudar cada movimento do seu cliente em potencial e entender quais são suas preferências de aprendizado. Usar toda a inteligência ao seu alcance e estar em constante alerta, tendo insights comerciais e visão enquanto seu lead traça o caminho em sua própria velocidade. Honrar o tempo dele, oferecendo um ambiente suave de conteúdo e conhecimento valiosos. Quando chegar a hora de encerrar a jornada, o lead pode dar a oportunidade de atender às necessidades que você conseguiu ajudar a moldar ao longo do tempo, comprando e se tornando seu cliente.

Um exemplo nos mercados B2B

Na visão de Lisa Shepherd, o comprador é a bola e a empresa B2B monta o tabuleiro com remos, nadadeiras e rampas. A bola precisa passar por esteiras e ralos para chegar à haste que a jogará para cima novamente. Assim como o comprador navega por pontos de contato específicos antes de tomar uma decisão de compra. E como a bola, a decisão pode ser imprevisível. Suas atividades de geração de leads são a entrada para o pinball e as táticas de venda são flippers, gates e spinners que ajudam a bola a trafegar. Ela salta, por exemplo, do webinar para a visita à fábrica, estudo de caso e teste gratuito, ganhando pontos com o comprador à medida que ele aprende sobre seu produto/serviço. Mas, o processo raramente é previsível. Muitas vezes, ela acaba desviando do curso “planejado”, fazendo com que os profissionais se adaptem e guiem a bola (o cliente) por uma rota menos direta com pontos de contato adicionais.

Às vezes, a bola parece ir direto ao gol e, então, atinge um obstáculo e segue em direção oposta, forçando uma reação rápida para mantê-la em jogo. Outras vezes, vai direto ao gol sem bater em nada. Cada jogo é diferente, baseado nas necessidades e no impulso do comprador. O processo pode parecer aleatório, mas não é. Assim como o jogo é regido pelas leis da física, o processo de vendas B2B é baseado em um grande número de fatores. Não é possível influenciar todos, mas pode-se controlar como sua superfície de pinball é configurada. Você determina as rampas e nadadeiras (táticas de vendas e marketing), controla o que são, quão poderosos são e onde são colocados. E também pode posicioná-los onde serão mais eficazes para enviar a bola em direção ao gol.

Um novo caminho para chegar até a compra

As marcas precisam desse novo modelo de caminho que reflita melhor o comportamento de compra dos consumidores, que pode ser apresentado como o ‘Hankins Hexagon’, baseado em seis estados ou nós diferentes.

Como funciona? A suposição é que os caminhos são não lineares. E o que isso significa? Uma pessoa pode fazer seu próprio caminho da maneira que escolher, até porque, existem poucos caminhos ‘fixos’ – a maioria é de duas vias (feedback e mudanças de opinião).

Vamos usar como exemplo uma compra comum do dia a dia, como o leite:

Você compra leite uma vez por semana. Algumas pessoas precisam todos os dias. Nas vezes em que você não precisa, fica no nó de ‘assimilação passiva’, exposto a todos anúncios. Vale a pena notar que outra pessoa pode simplesmente comprar o que estiver em oferta na loja da esquina, então, seu caminho passa por assimilação passiva, gatilho, compra.

O interessante é que, para diferentes marcas e categorias, você provavelmente encontrará um caminho dominante, porque as linhas entre esses ‘nós’ são probabilidades. Afinal, esse é o objetivo da publicidade, aumentar a probabilidade de uma pessoa escolher sua marca em vez de outra e, nesse modelo, você pode priorizar onde investir para melhorar essas probabilidades de caminhos.

Quais são esses caminhos e onde eles se situam funcionará como um guia para onde os profissionais devem investir para otimizar ou crescer. Esta é a aplicação chave. Para conseguir, é importante fazer perguntas, como: quais são as rotas mais prováveis de venda em sua categoria ou para sua marca? Quais nós são importantes e quais menos? Sua marca é diferente da categoria? Você está investindo de uma forma que deixa dinheiro na mesa?

Aqui, fica claro que jogando pinball, há probabilidades e priorização, que podem ser aplicadas por profissionais de marketing para tomar melhores decisões, tanto para o seu cliente potencial, como para o seu negócio.

Esse formato de funil de vendas, que utiliza o hexágono como formação, deixa todos os caminhos abertos ao cliente em vez de forçá-lo a seguir um caminho para chegar a algum lugar. É um formato mais abrangente e eficiente, onde o lead pode passar da assimilação passiva para a compra imediatamente.

Ao tratar o processo de compra como uma máquina de pinball em vez do funil tradicional, adotam-se necessidades em constante mudança do novo comprador, em vez de tentar forçá-lo a passar por um modelo desatualizado. Ao transformar o time de vendas e marketing em magos do pinball, segue-se o caminho certo para marcar grandes pontos e ganhar muito no jogo de vendas.


Se tem uma coisa que é cada vez mais clara, é a necessidade de uma abordagem mais criativa para o trabalho de estratégias de marketing, marcas ou comunicação. Ainda mais em tempos onde os produtos são parecidos e as pessoas têm atenção cada vez mais dispersa.

Nesse sentido, o que faz a diferença é aprender a equilibrar o lado analítico e imaginativo do trabalho, e isso pode ser aprendido no curso Creative Strategy. Mais do que apenas ensinar a pilotar ferramentas, vamos ajudar você a mudar a forma de entender sobre inteligência de mercado e lógica de pesquisa, criando abordagens mais criativas para a sua rotina profissional.

Inscreva-se nas nossas newsletters

Receba conteúdos sobre estratégia toda semana no seu email
Compartilhe a publicação

funil de vendas

digital marketing

funil

inbound marketing

Outras coisas bacanas que a gente publicou ou leu e você também pode gostar

Assumindo a liderança como estrategista

Ver mais

Storytelling: Contando Histórias Fortes

Ver mais

Como Negociar com Efetividade

Ver mais

Migrando do Marketing para a Estratégia em agência

Ver mais

Procuram-se Gerentes de Estratégia

Ver mais

Pensando estrategicamente a carreira

Ver mais

A maldição do conhecimento

Ver mais

Cannes Creative Effectiveness: uma análise estratégica

Ver mais

A evolução das Challenger Brands: Parte I

Ver mais

Sharp, Ritson e o problema da ciência

Ver mais

Copa 2026 e a estratégia das marcas

Ver mais

Problem-solving em três formar de pensar

Ver mais

ter.
20
out 2026

POSICIONAMENTO PARA CONSTRUÇÃO DE MARCAS ASPIRACIONAIS

com Ligia Paes de Barros, Chief Strategy Officer (CSO) da Ba...

seg.
14
set 2026

COMMS PLANNING E ESTRATÉGIA DE CAMPANHA

com Daniel De Tomazo Co-Founder da Sandbox & Head of St...

ter.
18
ago 2026

CX COMO ESTRATÉGIA DE NEGÓCIO

com Anny Atti Experience Design Director, Associate Partner ...

ter.
21
jul 2026

CHALLENGER BRANDS: CONSTRUINDO MARCAS QUE DESAFIAM

com Yudi Nakaoka, Strategy Director da AlmapBBDO

sáb.
23
mai 2026

STORY TELLING LAB’26

com Daniel De Tomazo, Co-Founder da Sandbox & Head of S...

ter.
28
abr 2026

K-POWER: A CONSTRUÇÃO DO SOFT POWER COREANO

com Ligia Paes de Barros, Chief Strategy Officer (CSO) da Ba...

ter.
29
abr 2025

Masterclass: Smart Desking

com Bruno Alrieri, Gerente Sr de Planejamento Estratégico da...

seg.
05
mai 2025

Live Recording: CX

Com Anny Atti, Carlos Borges, Matheus Noronha, Thais dos San...

Quero receber novidades

Assine nossas

Inscreva-se na nossa newsletter e receba novidades, conteúdos exclusivos e ofertas especiais direto no seu e-mail. Não perca nada!

Assine nossas

Inscreva-se na nossa newsletter e receba novidades, conteúdos exclusivos e ofertas especiais direto no seu e-mail. Não perca nada!

Preencha as informações para baixar o programa completo

Quero receber novidades