BRIEFING CRIATIVO: O NOME DO JOGO É EMPATIA





Briefing criativo é um tema que sempre envolveu, e ainda envolve, grandes disputas. Sobre o tipo de conteúdo, o formato e até o questionamento de por que ter que fazer isso. Mas o fato é que esse é um momento crucial de qualquer projeto, em que dois grupos com motivações muito diferentes se encontram: quem precisa de algo e quem vai criar esse algo. E exatamente por essa dinâmica de que quem precisa [briefa] não faz, é que o nome do jogo nos processos de briefing criativo é a empatia. A habilidade de cada um dos lados se colocar no lugar do outro é fundamental para o processo funcionar.

O documentário Briefly, de onde nos inspiramos, é uma sequência de conversas com os arquitetos Frank Gehry e David Rockwell, a ilustradora Maira Kalman, o designer Yves Béhar, e os publicitários John Boiler (72andSunny) e John C. Jay (W+K). E nessas conversas o aspecto humano fica muito evidente e nos faz refletir de diversas formas.

O arquiteto Frank Gehry, da Gerry Partners, diz que “é preciso explorar todas as ideias e se fazer perguntas: como as coisas são feitas e por que são feitas dessa maneira? Olhar materiais que não foram usados, explorar e analisar coisas que realmente interessam. A exploração nos leva ao diferente.”

Segundo o arquiteto David Rockwell, o briefing é uma ferramenta que vai definir toda uma missão. Seja verbal ou escrito, o trabalho posterior é desafiar o briefing e fazer um grande projeto. Mas, para que isso seja possível, é necessário um bom brief. É nesse momento que precisamos entender os porquês. É um material que gera motivações, intenções e aprendizados. Afinal, quando a gente não menospreza o que o outro valoriza, as relações e os trabalhos ficam melhores.

John Boiler, da 72andSunny, diz que o briefing “é uma declaração aberta de ambição para uma marca ou um cliente e deve comunicar a paixão e a convicção do seu objetivo. É um ótimo ponto de partida. Depois disso, ele continua mudando, através de conversas e assim por diante. Você provavelmente vai reescrevê-lo umas seis vezes ao longo do caminho. Mas, quando ele é feito da melhor forma, com empatia, provavelmente o caminho se tornará mais fácil”. O brief bom começa coisas, não encerra. Por isso, um brief “direitinho” não é suficiente. O bom é aquele que coloca na mesa um problema que as pessoas têm vontade de falar sobre e transformar em alguma coisa.

Quer um exemplo de briefing de sucesso, que deu certo porque foi bem executado? John C. Jay (W+K) destaca que o brief precisa inspirar as pessoas que recebem a tarefa de resolver o problema e deve deixar muito espaço, ter uma pista de decolagem, como o feito nas Olímpiadas de 1996, pela Nike. “O esporte é a guerra, a matança”: esse foi o brief. Apoiado por um longo verão de entrevistas com atletas, onde foram conhecidos, não apenas intuitivamente e instintivamente, mas sim seus sentimentos sobre competição. O brief, nesse caso, foi um tipo de guia, ponto de partida, com tom agressivo. O resultado? Uma campanha de sucesso!

Mais um exemplo? Yves Béhar, CEO da Fuseproject: “nos últimos 20 anos, trabalhei com pessoas que realmente gostam de mostrar onde querem ir. As discussões no pré-briefing precisam ser inspiradoras, não apenas sobre os produtos, mas também em relação a conhecer os objetivos e as aspirações de toda a empresa. Meu relacionamento com a Hossein Rama e o CEO Jawbone começou com uma tecnologia que surpreendeu. A empresa não tinha produto, apenas tecnologia. O brief evoluiu de discussões fora dos relacionamentos que criei com os co-fundadores e funcionários.

Ele foi construído em torno da noção de vida cotidiana: um fone e uma caixinha de som onde você poderia falar sem precisar usar as mãos para isso. É sobre um estilo de vida. Sobre como vivo e não como vou levar uma tecnologia em minha vida, mas como ela vai permitir coisas em minha vida. Um brief deve descrever muito de resultados e intenções. Então, se o briefing fosse muito curto e dissesse ‘queremos mudar a vida das pessoas através do som e da música’ seria apenas um ótimo resumo. Mas, ainda assim, curto demais”

o nome do jogo: empatia

Não é difícil perceber como – especialmente para quem já viveu ou vive essa situação – como os dois lados do balcão tem motivações que podem ser bastante diferentes. Um com preocupação mais funcional, o outro com aprumo estético; um de olho no mercado o outro nas pessoas; um querendo resultados, o outro inspiração. Claro que aqui estamos quase apelando para uma caricatura, mas, de forma menos carregada na tinta, conseguimos perceber formas diferentes de pensar, de enxergar o trabalho.

E, nesse sentido, o processo de briefing criativo pode revelar muita falta de empatia de parte a parte. Situações como não ser claro o suficiente; escrever demais coisas que não interessam ou de menos deixando de lado questões fundamentais de contexto; pedir coisas impossíveis de serem feitas… e por aí vai longe. Essas coisas normalmente são fruto da inabilidade de entender como é estar do outro lado. E o problema aqui não é só não ser legal com o coleguinha, mas também os enormes problemas que isso traz para o processo e especialmente para o resultado final da entrega.


Separamos aqui algumas características presentes em briefings criativos que no fundo revelam menos falta de técnica e mais falta de empatia mesmo:

Não fazer escolhas: afinal, todo briefing é uma escolha. Ele é uma plenitude de opções do que dizer, como dizer e para quem dizer e algumas opções são mais certas que outras. Mas, é necessário entender que não dá para fazer tudo, por isso, é essencial estabelecer prioridades e dar foco naquilo que é mais importante.

Não criar limites: um brief muito aberto não tem parâmetro de avaliação e qualquer coisa serve, mas fechado demais limita a criatividade de quem vai colocá-lo em prática. Um bom briefing deve estabelecer limites do jogo e possibilidades de múltiplas soluções. Ou seja, não se deve deixar tudo solto, nem dar a receita do bolo, afinal, o briefing é um trampolim para a criação saltar.

Não ser preciso: um brief completão demais esconde a necessidade de cobrir todas as bases. Mas um curtinho não revela os porquês necessários para se atender o trabalho. Resumindo: nem curto, nem longo; o briefing deve ser preciso. É importante lapidar o pensamento, para que ele seja exatamente do tamanho que precisa.

Não ser inspirador: é preciso ter inspiração, mas sem dar show. Aqui, o que inspira para valer são as tensões que encontramos na busca pela verdade. Por isso, é essencial garantir que todo o brief seja interessante, levantando os principais pontos de tensão

Não ser factível: o brief não pode ser algo impossível, mas tem que ter certa ambição. Tá, a gente sabe que não dá pra mudar o mundo, mas um bom briefing traz desafios que instigam a equipe a ser criativa. Nesse ponto, é importante promover desafios ambiciosos e estimulantes, desde que sejam plenamente factíveis com comunicação.

Não ser consenso: quem brifa não é o dono da verdade, por isso, o briefing deve ser conversado e consensual. É como se fosse um contrato, onde ambas as partes assinam um acordo comum. Entender o briefing como uma proposição inicial e permitir que ele possa mudar com o olhar do outro lado é bem necessário.

Antes de escrever o próximo briefing, seria bem importante refletir sobre essas questões, tentar entender mais o outro lado e manifestar essa preocupação nas palavras que escrevemos ou falamos para quem vai criar. Isso pode fazer toda a diferença no processo e no resultado final.


Que tal fazer um mergulho no lado mais criativo e imaginativo do pensamento estratégico, para garantir briefings assertivos à sua equipe e chegar a um resultado incrível?

O curso Creative Strategy está com inscrições abertas e tem como um de seus pilares o Briefing Criativo, para ajudar você a chegar a um brief de sucesso. Inscreva-se já e comece a trilhar uma caminhada de sucesso no universo das estratégias criativas.

Inscreva-se nas nossas newsletters

Receba conteúdos sobre estratégia toda semana no seu email
Compartilhe a publicação

briefing

criação

criatividade

branding

Outras coisas bacanas que a gente publicou ou leu e você também pode gostar

Assumindo a liderança como estrategista

Ver mais

Storytelling: Contando Histórias Fortes

Ver mais

Como Negociar com Efetividade

Ver mais

Migrando do Marketing para a Estratégia em agência

Ver mais

Procuram-se Gerentes de Estratégia

Ver mais

Pensando estrategicamente a carreira

Ver mais

Constraint Theory e uma boa lógica para estratégia

Ver mais

Criatividade, eficácia e o risco da receita de bolo

Ver mais

O Futuro da Estratégia (Versão Brasil) 2025

Ver mais

Grand Strategy: EUA vs China

Ver mais

Criatividade: uma questão de arbitragem

Ver mais

Clichês, dogmas e estratégia medíocre

Ver mais

ter
20
out 2026

POSICIONAMENTO PARA CONSTRUÇÃO DE MARCAS ASPIRACIONAIS

com Ligia Paes de Barros, Chief Strategy Officer (CSO) da Ba...

seg
14
set 2026

COMMS PLANNING E ESTRATÉGIA DE CAMPANHA

com Daniel De Tomazo Co-Founder da Sandbox & Head of St...

ter
18
ago 2026

CX COMO ESTRATÉGIA DE NEGÓCIO

com Anny Atti Experience Design Director, Associate Partner ...

ter
21
jul 2026

CHALLENGER BRANDS: CONSTRUINDO MARCAS QUE DESAFIAM

com Yudi Nakaoka, Strategy Director da AlmapBBDO

sáb
23
mai 2026

STORY TELLING LAB’26

com Daniel De Tomazo, Co-Founder da Sandbox & Head of S...

ter
28
abr 2026

K-POWER: A CONSTRUÇÃO DO SOFT POWER COREANO

com Ligia Paes de Barros, Chief Strategy Officer (CSO) da Ba...

ter
29
abr 2025

Masterclass: Smart Desking

com Bruno Alrieri, Gerente Sr de Planejamento Estratégico da...

seg
05
mai 2025

Live Recording: CX

Com Anny Atti, Carlos Borges, Matheus Noronha, Thais dos San...

Quero receber novidades

Assine nossas

Inscreva-se na nossa newsletter e receba novidades, conteúdos exclusivos e ofertas especiais direto no seu e-mail. Não perca nada!

Assine nossas

Inscreva-se na nossa newsletter e receba novidades, conteúdos exclusivos e ofertas especiais direto no seu e-mail. Não perca nada!

Preencha as informações para baixar o programa completo

Quero receber novidades