Cultura vs Estratégia: faz sentido esse duelo?





Você provavelmente já ouviu falar de uma famosa ideia, atribuída a Peter Drucker (escritor, professor e consultor administrativo), dizendo que a cultura devora a estratégia no café da manhã? Em linhas gerais, essa frase diz nas entrelinhas que nenhuma boa estratégia sobrevive à cultura estabelecida em uma organização. Isso significa que a cultura sempre será mais importante e se sobressairá diante de toda e qualquer estratégia proposta ou colocada em prática. Porque nada tem força suficiente para acontecer se a cultura ao redor não “permitir”.

Isso porque, em linhas bem gerais, a estratégia de negócios serve como um mapa que orienta a organização em direção aos objetivos desejados para conquistar clientes em meio à concorrência e demais fatores externos. Já a cultura, segundo Geert Hofstede, é “a programação da mente humana pela qual um grupo de pessoas se distingue de outro grupo”. Ela refere-se a como uma determinada organização se comporta no todo, de maneira diferente das demais.

Aqui nós enfrentaremos essa questão para buscar entender o que faz sentido nesse embate entre estratégia e cultura e se a frase de Peter Drucker sobrevive a um escrutínio um pouco mais pesado do que a interpretação inicial.

Até porque, hoje essa separação acontece na maioria das empresas. Tem a turma de Cultura, normalmente no RH e a turma da Estratégia, normalmente próxima às decisões de negócio mais orientadas a finanças e recursos de forma geral. Será que essa é a melhor divisão possível? Vamos lá.

 

CULTURA VS ESTRATÉGIA: CONTRAPONTO INICIAL

Gigantes do mundo corporativo já admitiram que a pandemia fez com que tudo fosse repensado. Agora, vamos relembrar sobre a frase de Drucker “a cultura come a estratégia no café da manhã”. A expressão é tão presente no dia a dia que se tornou uma verdade, segundo Adam Bryant para Strategy+Business.

A cultura, de fato, é importante. Uma boa estratégia pode até mesmo ser consumida por uma cultura ruim. Já disse Mark Fields, em 2006, quando presidente da Ford América: “Você pode ter o melhor plano do mundo, mas se a cultura não permiti-lo, vai morrer na videira.”

Dá para interpretar que ele quis dizer que a cultura está acima da estratégia. Mas dá para olhar de outra forma também. O espírito da frase de Fields pode ser diferente da forma como a ideia de Drucker se popularizou. Não há dúvida de que a cultura faz uma enorme diferença para determinar quais empresas estão fadadas ao sucesso ou fracasso. Até porque, construída de maneira adequada, a cultura reforça os valores e os comportamentos que os líderes esperam dos funcionários. Mas, a menos que você acerte a estratégia, mesmo que tenha a melhor cultura, ela não fará diferença. O falso Druckerismo deixa passar que a dificuldade de acertar a estratégia muitas vezes está em primeiro lugar.

O grau em que a estratégia impulsiona a cultura está enfatizado na autobiografia de Bob Iger, The Ride of a Lifetime. Desde o início de sua gestão como CEO da Disney, ele implantou três pilares básicos da estratégia de crescimento: desenvolver o melhor conteúdo criativo, fomentar a inovação que utiliza a tecnologia mais recente e expandir para novos mercados globalmente. Sem esses direcionadores tão claros, a cultura da Disney não faria nada por conta própria, por melhor que seja.

A pandemia alterou os planos de muitas organizações, razão pela qual tantas estão agora redefinindo suas estratégias. Acertar esses planos, para que sejam claros e simples, é o primeiro passo na construção de um crescimento sustentável. Sim, uma má cultura pode devorar uma boa estratégia. Mas o contrário é igualmente verdadeiro: uma cultura não faz nada sozinha sem uma boa estratégia.

Resumidamente: de nada adianta uma cultura 100% estável se ela não permitir colocar em prática uma estratégia que pode alavancar o sucesso do negócio. E vice-versa também.

 

CONEXÃO ENTRE CULTURA E ESTRATÉGIA

Se você desenvolve estratégia e cultura organizacional juntas em uma abordagem conectada e integrada desde o início, experimenta, aprende e itera à medida que alinha sua direção estratégica com os comportamentos que o ajudarão a chegar lá, você está em um bom caminho.

Afinal, como diz Jon Katzenbach: a cultura é uma coleção multidimensional de comportamentos, características, sentimentos e crenças autossustentáveis que determinam como o trabalho é realizado. Bem capturada, mostra o que uma organização é capaz de fazer e também ajuda a determinar como a estratégia deve ser concebida e desenvolvida.

Da mesma forma, a estratégia é um conjunto de opções sobre o que uma organização precisa para vencer, satisfazendo as necessidades de clientes, funcionários e investidores. Em uma pesquisa com 300 executivos, 56% disseram que usaram essa abordagem; 30% disseram que a estratégia veio primeiro.

 Abaixo, listamos algumas ações úteis para equilibrar essa conexão entre cultura e estratégia:

 

Crie uma linguagem comum

O trabalho desenvolvido para estratégia e cultura possui profissionais diferentes, como a equipe de marketing e de RH. Esses times trabalham independentemente uns dos outros, o que, muitas vezes, resulta em falta de coerência, perda de ideias e redução na adesão.

O indicado é reunir especialistas nas duas áreas, seja em uma equipe integrada ou em trabalhos coordenados. Os colaboradores da estratégia devem compartilhar hipóteses, possibilidades e escolhas, enquanto os da cultura destacam pontos fortes, limitações e problemas do setor existente.

 

Explore o potencial da cultura

Para impulsionar a complementaridade entre estratégia e cultura, é importante desenvolver um entendimento profundo do que precisam uns dos outros para fazer bem seus respectivos trabalhos. Ao desenvolver a estratégia, aprenda como a cultura funciona. Entenda o que as pessoas falam, criticam, admiram, lembram e apreciam em sua organização; e capture histórias, tonalidade e linguagem conforme faz.

Escon
didos por trás desses sentimentos estão as normas e valores, muitas vezes não escritos que caracterizam a cultura, e os facilitadores mais importantes para a execução bem-sucedida de uma estratégia.

 

Entenda as expectativas da estratégia

Para desenvolver a cultura e incentivar a participação, é bom entender a necessidade de uma nova estratégia, bem como as expectativas dos líderes sobre o que ela entregar. Isso requer uma articulação clara das oportunidades potenciais a serem perseguidas, bem como dos problemas que a organização enfrenta. Por isso é importante comunicar a estratégia de uma forma que as pessoas entendam e se identifiquem, compartilhar histórias para visualizar como será a aparência da organização, usar momentos da história que ilustram a coragem, a resiliência e a capacidade da empresa. Isso cria bons sentimentos e envolve pessoal e emocionalmente falando.

 

EQUILÍBRIO, EQUILÍBRIO, EQUILÍBRIO

Bom, se você chegou até aqui, já entendeu que a estratégia é super importante. A cultura também. Então é menos importante ficar medindo forças de quem é mais que a outra. Afinal, no fim, nenhum sobrevive sem o outro. A cultura precisa de estratégia e a estratégia precisa de cultura.

A prova viva disso está impregnada em empresas gigantescas, que estão alinhando a cultura da empresa e a estratégia de negócios para alcançar grandes resultados, como é o caso da Tesla, líder global no desenvolvimento de veículos elétricos, que cultivou uma cultura organizacional na qual o aprendizado proativo é a norma. Eles incentivam a equipe a explorar, ter a mente aberta e criativa para apoiar a estratégia da empresa de impulsionar a inovação no mundo real (e fora dele).

A Zappos possui uma estratégia que gira em torno de entregar um forte fator “WOW”, proporcionando felicidade aos seus clientes, funcionários, acionistas e toda a comunidade, por meio de uma cultura positiva e produtiva através de suas diferentes atividades de engajamento dos funcionários – garantindo que a equipe esteja satisfeita o suficiente para também alcançar altos níveis de satisfação do cliente

Além dessas, a HubSpot é outro grande exemplo. A empresa aborda a cultura como se fosse um produto. De aulas gratuitas, oportunidades de treinamento e livros a “HubTalks” inspirados no TED, garante que o desenvolvimento dos funcionários seja levado para o próximo nível, para que cada membro se sinta capacitado para alcançar seu pleno potencial.


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