Estratégias de Fusões e Aquisições

Você provavelmente deve ter notado que os ambientes colaborativos e propositivos vêm ganhando cada vez mais força no mundo dos empresários. Mas, engana-se quem pensa que esse formato é somente para unir equipes e fazer com que a troca de conhecimento seja praticada. É claro que isso também é um dos fatores decisivos para que fusões e aquisições de empresas aconteçam. No entanto, outro ponto se destaca como motivação principal: o crescimento da marca (ou marcas).

Também conhecidas como M&A, as fusões e aquisições entre uma empresa e outra são fundamentais para criar um movimento de crescimento não-orgânico. Ou seja, aquela evolução que uma organização tanto busca, mas não consegue alcançar sozinha no mercado, e que é possível quando ela se funde ou compra outra organização.

 

AS DIFERENTES ESTRATÉGIAS DE FUSÕES E AQUISIÇÕES

Tudo isso que falamos até aqui não significa que o processo é simples. Nesse universo de fusão e aquisição para alcançar as estratégias de crescimento, há diversas modalidades e classificações diferentes para que, de fato, os resultados apareçam. Vamos olhar essas diferentes estratégias:

 

Comportamento de massa

O primeiro lugar não é à toa, já que, com certeza, essa pode ser definida como uma das principais motivações para que empresários adquirem outras empresas. Em um mercado tão poderoso, há uma busca frenética e simultânea dos líderes para conquistarem o topo no segmento de atuação. Aqui, a empresa-mãe garante prêmios aos acionistas das empresas-alvo, podendo proporcionar baixos retornos pelos acionistas das marcas adquirentes.

Um exemplo é a Comcast, operadora do maior sistema de televisão a cabo nos Estados Unidos, que anunciou a compra da Time Warner Cable em 2014. Assim, uniram-se as duas maiores marcas do setor uma operação avaliada em US$ 45,2 bilhões.

Outros exemplos: a Airbus e a Bombardier, duas empresas do setor aeroespacial que se tornaram sócias para o programa de jatos comerciais CSeries, em 2017. Pelo acordo, o grupo francês assumiu uma fatia de 50,01% da C Series Aircraft Limited Partnership (CSALP), controladora do programa de desenvolvimento, produção e vendas dos jatos comerciais CSeries, aeronaves com 100 a 150 lugares. A Bombardier ficou com 30,99% da companhia e o governo da província de Quebec deteve os demais 19%.

Valorização do mercado acionário

Aqui, a aquisição vem acompanhada pela valorização do mercado acionário e da diferença de informações entre gestores e investidores. Os gestores, tendo suas percepções do valor de valor real, mas inferior àquela imposta pelo mercado, e no intuito de aumentar a riqueza de seus acionistas, envolvem seus negócios em aquisições, pagando com ações da própria companhia. Dessa forma, o pagamento tem maior probabilidade de ocorrer quando o mercado acionário está em alta.

Por exemplo, o anúncio de que o Facebook adquiriu, em 2014, o serviço de mensagens instantâneas WhatsApp por US$ 16 bilhões – US$ 12 bilhões em ações e US$ 4 bilhões em dinheiro. A rede social azulzinha usou mais de US$ 3 bilhões para doações de ações para empregados do WhatsApp – que tinha mais de 400 milhões de usuários ativos e é o aplicativo de mensagens instantâneas com maior número de usuários hoje. O fundador do WhatsApp, Jan Koum, juntou-se a Mark Zuckerberg como executivo e se tornou parte do conselho diretor da rede social.

Força e posicionamento de mercado

Melhorar o posicionamento de mercado frente a clientes, fornecedores e funcionários é uma ótima estratégia. Esse aumento da força da empresa e a eventual criação de um monopólio permitem aos produtores extrair e manter a maior parte do lucro da cadeia e do segmento.

Por exemplo: a Ambev, gigante nacional dedicada à produção de bebidas, que abriu 32 fábricas e 2 maltarias em território brasileiro, e possui 100 centros de distribuição direta e 5 centros de excelência no Brasil.

 

Choques setoriais

Choques nos setores, como crises econômicas, queda de demanda, novas tecnologias disponíveis, movimentos do mercado de capitais, entre outros, podem balançar o mercado. Consequentemente, as empresas fazem fusões inteligentes, mesmo que concorrentes, para passar longe de perturbações econômicas.

A criação da Brasil Foods, gigante do setor de alimentos formada pelo processo de fusão das duas líderes do setor – Sadia e Perdigão – é um exemplo. O histórico de cada marca e as suas estratégias se uniram para formar uma outra empresa, que agora é mãe de ambas as irmãs, que, antes, eram concorrentes no mercado.

 

Busca por crescimento

Crescer, crescer, crescer: esse é o objetivo de qualquer empresa, isso é fato. Para que isso seja possível, há empresas que buscam aquisições ou fusões, já que a evolução interna pode ser, muitas vezes, um processo lento e incerto; enquanto que, ao apostar na estratégia de fusão ou aquisição, o crescimento gerado será mais rápido.

O Grupo Carrefour, por exemplo, fechou sua segunda maior aquisição no Brasil com a compra de 30 lojas do atacadista Makro. Foram pagos R$ 1,95 bilhão, valor equivalente a quase 70% do faturamento dessas lojas em 2019, sendo adquiridas 22 unidades próprias e 8 alugadas em 16 estados e 14 postos de combustível em 17 estados.

Ainda com Carrefour: o gigante comprou o Grupo Big por R$ 7,5 bi, em 2021. A rede Big pertence à sociedade firmada entre o Walmart e a firma de private equity Advent International. A aquisição ampliou a presença do Carrefour nas regiões Nordeste e Sul, onde a rede ainda tinha presença limitada. Com o negócio, o Carrefour também passou a gerir a Sam’s Club.

 

Economia de escala

O ganho de economia, em qualquer setor, pode ser lucrativo, desde que realizado em grande escala, tendo em vista que os custos fixos para a exploração de uma atividade de pequeno ou médio porte são próximos dos custos fixos de exploração de uma atividade de grande porte. Nesse sentido, se a produção aumenta, enquanto os custos fixos permanecem relativamente os mesmos, os ganhos de eficiência e lucratividade são inquestionáveis.

Em 2015, as empresas Kraft Foods e H.J. Heinz concluíram o processo de fusão e lançaram uma logomarca resultante da união das empresas. A companhia combinada tem receita de cerca de US$ 28 bilhões. Os acionistas da Kraft detêm 49% da nova empresa e os da Heinz os 51% restantes. Ambas as companhias já eram donas, anteriormente à fusão, de marcas famosas como o café Maxwell House, o queijo Kraft, as sobremesas Jell-O e o cream cheese Philadelphia.

Economia de escopo

A motivação de ganho da economia de escopo ocorre quando a combinação de negócios oferta à base de clientes da empresa uma série maior de produtos ou serviços.

A JBS é um exemplo: os donos da empresa possuem diversas empresas, como Friboi, Vigor, Doriana, Seara, Havaianas, Banco Original, Mizuno, Osklen, Topper, Sete Léguas, Dupé, Minuano, Neutrox, Francis, Albany, Ox, Protege, Karina, Kolene, Mat Inset, Faixa Azul, Danubio, Leco, Itambé e Frangosul.

Internacionalização

Para buscar novos clientes, reduzir custos de mão de obra ou encontrar insumos ou matéria-prima mais baratos, as empresas buscam expansão fora do país, seja por meio da fusão ou da aquisição de outros negócios, onde as marcas escolhem o melhor lugar para implantar os negócios de seus negócios.

A aquisição da St Marys Cement, no Canadá, marcou o início da internacionalização da Votorantim e deu origem à Votorantim Cimentos North America (VCNA). Atualmente, a Votorantim possui operações em mais de 20 países, nos diversos setores em que atua.

 

Consolidação em alto grau de maturidade

Quando um segmento atinge os níveis de maturidade ou declínio, isso afeta o desenvolvimento do negócio e o crescimento orgânico não é uma alternativa viável para aumentar a lucratividade, ou seja, isso obriga as empresas a realizarem fusão e aquisição. Por exemplo: a fusão das gigantes agroquímica Dow Chemical e DuPont, em 2015, quase em igualdade de condições, resultou na criação de um grupo no valor de US$ 130 bilhões.

 

Limitação de entrada de novos concorrentes

Para antecipar a medida de algum concorrente ou evitar a entrada de novas empresas do mesmo segmento no mercado, conquistando crescimento externo, muitas empresas criam uma estratégia defensiva: adquirir ativos empresariais ou controle de alguma companhia concorrente ou de ramo complementar.

Como exemplo, o Bradesco, que comprou 100% das operações do HSBC no Brasil por R$ 16 bilhões. O Bradesco assumiu todas as operações nacionais do HSBC, incluindo varejo, seguros e administração de ativos, bem como todas as agências e clientes. Com a união das operações, o Bradesco aumentou o valor total de seus ativos em 15,9%, chegando perto do seu maior concorrente, o Itaú.

Redução da capacidade ociosa

A capacidade ociosa de uma empresa pode ocorrer por inúmeras razões: falência de cliente grande; existência de crise no setor; redução da demanda; maturidade excessiva ou declínio do setor produto ou serviços não mais estratégicos; recuperação judicial. Nestes casos, entram em cena as estratégias de aquisições e fusões.

A General Electric (GE), conglomerado americano, por exemplo, fechou acordo em 2020 para vender a divisão de lâmpadas para a Savant Systems em, comercializadora de tecnologia para automação doméstica. A transação avaliou a unidade em torno de US$ 250 milhões.

 

UMA ESTRATÉGIA DE CRESCIMENTO NÃO ÓBVIA, MAS BASTANTE EFICIENTE

É fato: investir em Mergers and Acquisitions é uma tacada certeira para quem busca consolidação de empresas em seus mercados de atuação. Como parte importante de uma gestão estratégica, as fusões e aquisições podem permitir que empresas cresçam e mudem a natureza de seus negócios ou sua posição competitiva: negócio comprando negócio ou junção de duas marcas para formar uma só.

Mas, como vimos, o processo não é simplesmente sobre comprar. Existe todo um planejamento com definição de métricas, estratégias, metas e objetivos que devem ser seguidos antes mesmo de tudo iniciar.  O ideal é avaliar e entender se o negócio realmente faz sentido. Se tudo correr bem, o resultado valerá bastante a pena.


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