Por que o MVP pode ser o pior inimigo do UX?





MVP e UX são dois termos hiper utilizados e dois conceitos bastante aclamados em business hoje em dia. Colocar uma contra a outra parece um contrassenso imediato. Mas se parar para pensar faz bastante sentido.

Kara Pernice é vice presidente do NN Group [fundado por Don Norman, um dos papas do UX] e fez um vídeo interessantíssimo contrapondo essas duas ideias, MVP e UX.

O que fica claro aqui é que o ponto dela tem a ver com não com uma crítica da ideia de MVP em si, conceito desenvolvido por Eric Ries, no livro Startup Enxuta. Como ela mesma diz, o conceito de você ter algo minimamente viável para ser lançado e aprender com aquilo não é má ideia. Especialmente para a natureza do negócio de uma startup, que não tem dinheiro, tempo e recursos em geral para se dar ao luxo de tentar atingir a perfeição antes de lançar algo.

Porém, ela explora todas as implicações que a distorção desse conceito pode ter para o pensamento de UX.

A grande crítica é que muitas vezes o que é tratado como MVP na prática não pode nem ser considerado “mínimo”, de tão distante que está da realidade. Na visão dela, isso, na prática, mais do que gerar aprendizado para melhorias incrementais, pode colocar a perder todo um projeto, por dar uma má experiência para o usuário, que é muito movido pelas primeiras impressões e pode simplesmente nunca mais voltar. Isso é um risco que não se pode correr de maneira nenhuma.

Além disso, ela critica até mesmo o grande desperdício de recurso que pode haver aqui. Para fazer esse mínimo, ainda que ele não atenda nada das expectativas, é necessário bastante investimento para por a coisa de pé.

Nesse sentido, seria muito melhor fazer o famoso processo iterativo de design, fazendo protótipos super mais simples, com cara mesmo de protótipo, sem nenhum acabamento, com pouca energia gasta. E que esses protótipos sejam testados em ambiente controlado, até que haja segurança da equipe que se está diante de algo que – mesmo que na fase de protótipo – atenda aquilo que se espera do produto ou serviço. Aí sim parte-se para encontrar o que é a versão mínima viável desse protótipo ideal, para finalmente lançar sua primeira versão no mercado.

Então, no fim das contas o grande ponto aqui é deixar de usar a ideia de MVP, mas redefinir o que o conceito de “mínimo” significa.

No vídeo ela dá um exemplo simples, mas muito ilustrativo da questão. Se o seu produto final é uma mansão, você não pode tratar o MVP dela como uma cabana, só porque ambas são casas de alguma forma. Há que se entregar para as pessoas de fato uma mansão, com a proposta de valor dela, mas entendendo que essa mansão tem muito mais a melhorar e entregar ao longo do tempo, para atingir seu máximo potencial como mansão. Mas, note, é uma mansão, com tudo o que é o mínimo necessário para que assim seja, do ponto de vista de experiência.

Um MVP que sacrifique o UX e não entregue a proposta de valor e de experiência de forma satisfatória [no mínimo] na prática é só um projeto acelerado e mal feito. E nenhuma startup sobrevive dessa forma. Aí não é startup enxuta, é startup morta.

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